Evento

26778644436_ec620e453a_o

Curitiba tem um papel importante na história recente dos quadrinhos brasileiros. E de 2011 para cá, a capital paranaense virou sede de um dos maiores eventos do gênero no país, a GIBICON – Convenção Internacional de Quadrinhos de Curitiba. Mais do que um simples festival de quadrinhos que ocorre de dois em dois anos, a GIBICON sempre teve, entre suas metas, promover o desenvolvimento sociocultural e o estabelecimento dos quadrinhos como forma de arte devidamente reconhecida.

A história do evento começou entre os dias 15 e 17 de julho de 2011, quando se realizou a chamada Edição Número Zero, que teve como sede o Memorial de Curitiba, no Largo da Ordem. Entre os principais convidados estavam os italianos Fabio Civitelli e Lucio Felippucci, o francês Hervé Bourhis, e o argentino Salvador Sanz. Curitiba também recebeu, na ocasião, 40 nomes brasileiros de enorme prestígio.

Entre as principais exposições que marcaram o evento estavam Leviathan, com trabalhos do alemão Jens Harder, premiado em Angouleme em 2010; uma coletiva de grandes autores franceses como Moebius, Druillet e Bilal, cedida pela Aliança Francesa de Curitiba; o painel A Lenda de Tex; uma retrospectiva de artistas curitibanos; e a mostra Seto – o Samurai de Curitiba. Tal leque de atrações fez com que cerca de dez mil visitantes prestigiassem as atrações do evento.

A primeira

Liza Strapasson-18

Depois do sucesso da estreia, a GIBICON teve sua primeira edição de fato realizada no ano seguinte. Entre 25 e 28 de outubro de 2012, pode-se dizer que Curitiba entrou, definitivamente, no circuito internacional de histórias em quadrinhos.

O evento, naquela ocasião, teve como foco principal três grandes homenagens. A primeira foi feita ao editor italiano Sergio Bonelli, que havia falecido no ano anterior, e que foi cultuado ao longo de anos em todo o país por conta do trabalho com os personagens que publicava, como Tex, Zagor e Mister No, entre tantos outros, que foram tema de uma mostra no evento. A editora paranaense Grafipar também mereceu uma profunda exposição retrospectiva e sem precedentes, digna da importância que tem para os quadrinhos no país, produzida pela Quadrinhofilia. Além disso, a própria Gibiteca de Curitiba teve suas três décadas de existência comemoradas com toda a pompa devida, e hospedou vários debates durante a convenção.

Entre os convidados que prestigiaram a GIBICON nº 1 estavam o roteirista Moreno Burattini, o desenhista Roberto Diso, e, mais uma vez, o grande Fabio Civitelli e o argentino Salvador Sanz. Também vinda da Itália, outra grande atração do evento foi Tanino Liberatore, criador de um personagem icônico dos quadrinhos dos anos 1980, Ranxerox. O desenhista abriu pessoalmente a mostra retrospectiva de seu trabalho, que pode ser vista no Solar do Barão. Além desses, também vieram os alemães Isabel Kreitz, Mawil e 80 nomes nacionais.

A GIBICON nº 1 teve, ao todo, cerca de 15 mil visitantes e, por conta do prestígio adquirido, foi agraciada no ano seguinte com os prêmios mais importantes do quadrinho nacional: o Ângelo Agostini, que conferiu ao evento o Troféu Jayme Cortez, por sua contribuição aos quadrinhos no Brasil; e o HQ Mix, que elegeu a GIBICON como o melhor evento do gênero em 2012.

A segunda

GIBICON_2014_DAVID_LLOYD_IZZIEPHOTOANDFUN_VINI_THEODORO-5

Consolidada, a GIBICON nº 2 não teve outra alternativa a não ser expandir ainda mais os seus horizontes. Para isso, foi fundamental a concentração de quase todas as atividades do evento no espaço privilegiado do Museu Municipal de Arte (MuMA), que ferveu entre os dias 4 e 7 de setembro de 2014 com 49 oficinas, 33 debates e 16 palestras com grandes nomes do quadrinho internacional e nada mais nada menos que 104 convidados nacionais. Entre os estrangeiros, os grandes destaques foram o desenhista inglês David Lloyd, o artista coreano Kim Jung Gi, e o argentino Eduardo Risso.

A imensa participação nacional foi coroada com a criação do prêmio Claudio Seto que, nessa primeira oportunidade, foi oferecido ao cartunista paranaense Solda, pelo conjunto da obra. O artista, naturalmente, mereceu uma exposição retrospectiva de sua carreira, que pode ser vista junto com muitas outras (14 no total), como a mostra dedicada ao super-herói curitibano Gralha, uma outra que trazia esboços e artes finalizadas das Graphic MSPs de Maurício de Souza, a coleção de cartuns que evocava a Copa do Mundo (organizada por Jal e Gual), e a Imersão de Renato Guedes, com aquarelas enormes produzidas para serem obras de galeria.

A grande amplitude do evento acomodou, além disso tudo, uma enorme feira literária (como nunca havia sido vista antes na GIBICON), uma arena de artistas, com áreas para sessões de autógrafos e avaliações de portfólio, e o Duelo HQ, uma disputa entre os desenhistas participantes. Não à toa, a GIBICON nº 2 reuniu o maior público já registrado em todas as edições da convenção: 25 mil pessoas.

Foi nessa edição que a missão do evento começou a se desenhar de forma mais clara. Ficou claro que a afetividade e o compartilhamento de ideias são as principais ferramentas para aprofundar os diálogos e expandir ainda mais os contornos daquilo que estamos continuamente planejando. Que venha setembro de 2016!