Exposições

Foto: Flavio Rocha

Foto: Flavio Rocha

KEY

Key Imaguire

MOMENTO KEY – ANOTEM
José Carlos Fernandes
Acho que todos deviam anotar o dia, a hora e o ano em que conheceram o arquiteto e urbanista Key Imaguire Júnior. O nosso “momento Key” merece lugar no álbum de recordações, ao lado do primeiro encontro com a namorada, a festa de formatura ou a viagem a Roma. Passa um tempo, essa informação faz uma falta danada. Por um simples motivo – de mero conhecido, aos poucos Key galga aos postos mais altos da vida da gente, até chegar à posição de – num sentido místico – “amigo universal” ou de – numa dimensão sobrenatural – ser onipresente.
Exagero? Quem teve parte com ele sabe que não. Quanto ao primeiro título, há pouco a contestar. Alguém que tenha pachorra, devia se ocupar de fazer o mapa da rede de amigos de Key Imaguire Júnior. O sujeito alheio a automóveis, celulares e – por tabela – às traquitanas das redes sociais está na timeline afetiva de tudo que é tipo de vivente. Dos que habitam das casas grandes às senzalas, sobrados e mocambos, passando pelas estações tubo, seu laboratório de identificação de pessoas raras. Mais interessante do que o lastro cósmico do cidadão Key é a possibilidade – nunca remota – de que ele nos apresente alguém tão extraordinário que nem em sonhos de Dalí conseguiríamos descobrir.
Quanto a ser onipresente – o que é uma qualidade divina, segundo consta no catecismo – aconselha-se os incréus a não duvidarem. Parece não ter havido iniciativa cultural ou urbana importante do final da década de 1960 para cá – quando ele entrou na faculdade de Arquitetura – da qual não tenha participado, em alguma medida. Sua contribuição até pode ter sido modesta, mas nunca é nula. Nada do que importante lhe é indiferente. Fotografou as obras do hoje MON quando Oscar Niemeyer era então um garotão de seus 60 anos. Gastou sola de sapato para ajudar a definir os atuais 75 bairros de Curitiba.

É o cara por trás da Gibiteca de Curitiba, da Casa da Estrela, do registro paisagem arquitetônica da Rua XV, do salvamento do patrimônio das casas de madeira… Se mapear a rede de amizades do Key exige uma vida, identificar em quantas reuniões e forças-tarefas importantes ele se fez presente exige uma eternidade e mais um dia.
Devemos pacas a ele – mas ele nunca vai cobrar nada a ninguém. Por ser um cara boa praça – e por ter mais o que fazer. Dar conta da biblioteca que ergueu com a mulher, Marialba Gaspar, por exemplo. Depois de guardar a data do primeiro encontro Key, para não perder o fio da meada depois, é fundamental, anotar – caso tenha a sorte – o momento em que se botou os olhos na “salinha de livros” que a dupla tem em casa. É um passeio nos bosques da ficção, mas também um rolê na montanha russa. Se bem lembro, logo na escada que leva ao santuário tem um desenho autografado pelo Will Eisner – sim, a rede Imaguire de relacionamentos extrapola nossas fronteiras. É transcontinental, transversal, multidisciplinar e atenta à vizinhança – afinal, ele já deu de fazer interferências artísticas em postes de luz das Mercês. National Kid existe – e é nosso.
Assim que a gente chega na boca das estantes – e se pergunta como é que ele deu conta de reunir tantos e tão excepcionais títulos – perde-se nas curiosidades, que nos fazem crianças no picadeiro. Key sabe como distrair os convivas. Tem cartum e charge e quadrinhos de bambas como Laerte, um projeto esquecido que ele salvou da fogueira das repartições públicas, fotografias, poesias, e a espada de um samurai. Devia ser direito humano básico: passaporte para entrar na Imaguire Corporation. Mas não tem como. A solução é simples – não dá para todo mundo ir até lá, por isso o acervo do Key e da Mari, como ele a chama, veio até nós. Anotem este dia, pois ele vai se revelar longo e divertido. Logo-logo, quem não sabia, vai descobrir que a cidade está contaminada por ele – sem alarde, bem a seu
modo. E essa é uma boa notícia.

*José Carlos Fernandes é jornalista e professor do curso de Jornalismo da UFPR.

O arquiteto, professor, colecionador de quadrinhos e criador da Gibiteca de Curitiba, Key Imaguire Júnior, homenageado da edição da Bienal de Quadrinhos 2018, é uma figura histórica de Curitiba. Foi professor da Universidade Federal do Paraná e dedicou parte da sua vida profissional à pesquisa da arquitetura sob o viés cultural. A exposição reuniu recortes de jornais com fotos, entrevistas, artigos e perfis que dialogam com seus interesses, e também cartuns fotográficos, fotonovelas e objetos cartunescos de sua autoria.

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Foto: Flávio Rocha

CIDADE DE SANGUE: QUADRINHOS A FERRO E FOGO

Julio Shimamoto

QUADRINHO A FERRO E FOGO
Márcio Jr.
Quantos autores podem sustentar, de forma inquestionável, o título de legenda dos quadrinhos brasileiros? Julio Shimamoto pode. Com uma extensa carreira, nascida ainda nos anos 1950, Shima transitou livremente pelos mais distintos gêneros, do terror ao erótico, do infantil ao policial, do regional às artes marciais. Difícil encontrar tema ou objeto que tenha escapado à visceralidade de sua arte.
Mas não foi apenas no quesito gênero que Shima se revelou um eterno explorador. Seus quadrinhos sempre se valeram das técnicas mais ousadas e improváveis, muitas criadas por ele próprio. Distorção em bexigas, fuligem, raspagem de azulejos e cerâmicas, cera de vela, cola de sapateiro, tinta de parede, recortes, pregos, água sanitária. Tudo se converte em ferramenta e material nas incansáveis mãos deste samurai em contínua reinvenção.
Shima jamais se acomodou. Tão logo uma técnica de ilustração é dominada, o quadrinista imediatamente parte rumo a
outros desafios. Tédio e conforto, inimigos mortais. Como ele mesmo diz: “Ateio fogo sobre pontes que já atravessei”.

Outra característica incapaz de ser dissociada da obra de Shimamoto é a fuga constante de qualquer arte asséptica, fria e perfeitamente calculada. O que o move é uma urgência ímpar, transbordante de espontaneidade. Ainda que esbanje maestria, suas visualidades são carregadas da mesma imperfeição, ruído e violência que se encontram na matéria-prima da vida. Há uma expressão oriental para isso que é muito cara a Shima, ao mesmo tempo em que traduz à perfeição seu labor artístico: shibumi.
Aos 79 anos de idade, sem a menor necessidade de provar absolutamente nada à longa trajetória das histórias em quadrinhos brasileiras – da qual é parte fundamental –, Julio Shimamoto nos entrega a impressionante graphic novel CIDADE DE SANGUE. Aqui, o mestre leva a patamares inauditos tanto o experimentalismo radical quanto a irrefreável busca por uma arte orgânica e pulsante.
Nesta exposição, todo o trabalho de Shima em CIDADE DE SANGUE vem à tona. Os rápidos esboços feitos em papel manteiga; a mesa de luz; as ferramentas artesanalmente desenvolvidas pelo artista; o vigoroso uso de ferro de solda e maçarico sobre papel térmico; as fotocópias para o registro definitivo da HQ.
Se o resultado é vibrante, acompanhar o processo criativo de Julio Shimamoto traz mais lenha a esta fornalha artística. Aqui se dissipa, como fumaça, toda e qualquer dúvida: CIDADE DE SANGUE é uma história em quadrinhos criada a ferro e fogo. Literalmente.

Julio Shimamoto é uma lenda dos quadrinhos brasileiros, com uma carreira que ultrapassa cinco décadas marcadas por diversidade e experimentação. Em 2018, lançou CIDADE DE SANGUE, seu mais recente álbum, completamente desenhado com maçarico e ferro de solda sobre papel térmico. Na exposição Quadrinhos a Ferro e Fogo, tivemos a oportunidade de acompanhar todo seu peculiar processo criativo – caso único no mundo das HQs.

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Foto: Flávio Rocha

CIDADE NANQUIM

Guazzelli

LUGAR DE FALAS
Laerte
––– Por favor, sabe onde fica uma praça, aqui perto?
––– Uma praça.
––– Sim, um lugar com esse espaço que praça costuma ter, com uma grama no meio.
––– A senhora está procurando algum prédio em especial?
––– Um bar. Não sei o nome. Estive nesse bar já faz um tempo. Quando saí, havia uma praça, tenho uma memória da grama no meu nariz.
––– O cheiro da grama?
––– Não, a grama mesmo, eu caí de cara no chão, me ralei toda.
*
––– Mudar pra cá foi a melhor coisa que eu fiz. Você não queira saber de onde eu venho. Eu venho de um lugar horrível, os prédios, as ruas, é tudo horrível; as pessoas são horríveis, sempre exigindo… exigindo atitudes, atenções, cuidados, te chamam nos momentos mais absurdos, você acaba indo e quando vê está enfiada até as orelhas numa coisa horrível, que vai te exigir muito mais do que você consegue oferecer, você não queira saber.
––– …de onde você vem?
*
– Podem se aproximar, minha gente. Não tenham receio, o médico falou que não tem perigo. Só pareço agressivo, mas sou um doce de jaca.
*
––– Então chega o outro comandante, já com os piratas tendo ido embora, e contempla o cenário da tragédia. E pede para ser morto, que o matem de modo que o seu sofrimento “fosse maior que todos os sofrimentos reunidos” – e que o enterrassem ainda vivo, de cabeça pra baixo, enchendo o buraco de terra bem devagarinho.
*
––– Não se trata de pregação religiosa, podem ficar tranquilos.
––– O que está vendendo?
––– Nada! Suas carteiras ficarão intactas. Nenhuma bugiganga será incorporada a seus patrimônios.
––– Não se atreva.
––– Ah, se atrevo!
–– Esse espécime seria assim como o homem de cro-magnon?
––– Evidente que não, já que se trata de uma ossada encontrada aqui. O laboratório…
––– Ou como o de neanderthal?
––– Então. O laboratório está trabalhando numa hipótese de 5 mil anos. Neanderthais não existem mais há uns 30 mil…
––– TRINTA MIL ANOS?
––– Sim – os neanderthais. Não estes que…
––– Podemos então afirmar para os telespectadores que nossa terra é habitada desde antes dos tempos bíblicos?
––– Não, não podemos.
*
––– …bom, merda pra nós.
––– Tem muita gente?
––– Por quê, senão você não entra em cena?
––– Eu esqueci todo o texto.
––– Desencana. Na hora você lembra.
––– Eu não lembro o que estamos fazendo aqui.
––– Calma.
––– Dá tempo pra ir no banheiro?
––– Você já foi três vezes…
––– Eu estou em pânico. Não sou atriz, sou só uma velha, uma velha com próstata espremida.
––– Parece nome de drinque. Vai no banheiro logo. Já deu o primeiro sinal.
––– Não!!
*
––– Tampouco almejo cargo eletivo – “cargo eletivo” é bom. Não almejo, podem descansar. Embora essa pequena multidão reúna quase o necessário para me tornar vereador, não é o que pretendo.
*
––– Enterramos ali.
––– Todos?
––– Sim, a mãe e os cinco filhotes. Bem ali.
*
––– O que é isso?
––– Um poema. Vou ler pra você, a luz está meio fraca lá em cima. “Ele não quer parecer suspeito / mas lá fora há um terreno de pedras / onde se ergue um totem / de 20 metros de altura. / Ele o derruba com as mãos / e sobre as ruínas da cabeça esculpida / se apresenta a sacerdotisa. / Ele amarra seus punhos / a seus tornozelos / e ela roda como um pneu. / Os deuses surgem, claro. / Dançam. / Aquilo se repetirá, / se repetirá…”
––– Bom, vai ter que apagar. Este muro não é seu.
*
––– Tudo o que quero é um experimento, apenas convidar a todos e todas aqui para um experimento.
––– É pra experimentar o quê?
––– Uma grande liberdade.
*

Cidade Nanquim é uma cidade imaginária que cresce, dia a dia, há quase 30 anos. Ao desenhar, Guazzelli dá vida a uma cidade imensa e rica em detalhes. Este trabalho tem sido desenvolvido em módulos de folhas A4, que são montadas como um outdoor, distribuídas em quatro tiras horizontais. O desenho de Guazzelli tem hoje aproximadamente 30 metros de comprimento por um metro de altura. Cada módulo é desenhado em nanquim sobre papel, sem esboço prévio.

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Foto: Flávio Rocha

SONHAR CURITIBA

Exposição Coletiva

Muito além de falar em Capital Ecológica, Cidade Sorriso ou qualquer outro motivo de cartão postal, a proposta da exposição é Parar. Parar e pensar na sua relação com a cidade.
Eu, Mitie Taketani, Fulvio Pacheco (diretor da Gibiteca), Antônio Eder (Estúdio Dogzilla) e Marcelo Lopes (Traços Curitibanos) convidamos artistas que moram ou já moraram em Curitiba a criarem uma obra especialmente para esta exposição e com esta reflexão.
A partir daqui escrevo como você, que está entrando nesta sala e ainda não sabe o que irá ver ou sentir. Mas já agradeço muito aos artistas que aceitaram a provocação e que tiveram que criar “atalhos” no seu cotidiano-cheios de trabalhos, boletos, copas do mundo e eleições- para estarem conosco nesta edição:

Alexandre S. Lourenço, Allan Ledo, Amanda Barros & Ariel Dacunha, André Caliman, André Ducci, Antonio Eder, Benett, Chico Felix, Clayton Junior, Dw Ribatski, Elvo Benito, Foca Cruz, Fulvio Pacheco, Guilherme Caldas, José Marconi, Má Matiazi, Marcelo Lopes, Marcelo Bittencourt, Natan Ss, Paixão, Pryscila Vieira, Rodrigo Guisnki, Rômolo, Simon Taylor, Tako X, Thiago Galileo.

Mitie Taketani

Seguindo o tema desta edição, “A Cidade em Quadrinhos”, nossos artistas foram convidados para um desafio e uma reflexão: que cidade imaginam para o futuro? O resultado dessa observação crítica pode ser apreciado em obras de tamanhos e técnicas diversas, como grafite, colagem, ilustração e em meio digital.

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Foto: Flávio Rocha

OLHAR A CIDADE

Residência Sesi Bienal

Eloar Guazzelli nasceu em Vacaria, no RioGrande do Sul, com um lápis e um bloquinho na mão. Ainda não parou de desenhar. Começou a publicar seus quadrinhos aos vinte e poucos. Envolveu-se com animação e ganhou prêmios. Fez mais quadrinhos e ganhou mais prêmios. Mudou-se para São Paulo, fez mais quadrinhos, fez mais animação, ganhou mais prêmios, aí colou 800 folhas A4 e começou a desenhar uma cidade de nanquim. Nesta exposição, vai mostrar como sua infância lá em Vacaria se liga a Curitiba.

Luli Penna nasceu em São Paulo, mora em São Paulo e desenha São Paulo. Colocou sua cidade em capas de livros, em ilustrações para imprensa, publicidade, cartuns. Nunca tinha dedicado-se a um longo trabalho em quadrinhos, então começou a pesquisar a história de sua família e passou mais sete anos desenhando São Paulo. Sem Dó é a São Paulo da década de 1920 e tem a história de duas mulheres como pano de fundo. Nesta exposição, Penna vai ver e desenhar Curitiba pela janela de um ônibus de linha.

Marcello Quintanilha nasceu em Niterói. Aos 16 anos, atravessou a ponte com o portfólio na mão para bater na porta de uma editora de quadrinhos carioca. Nas três décadas desde lá, desenhou vários Brasis em quadrinhos: os subúrbios fluminenses, a roça idílica, o passado nostálgico, a violência entranhada no cotidiano. Não mora no Brasil, é muito premiado e muito lido fora do Brasil, mas continua retratando o Brasil. Nesta exposição, vai retratar a art déco em Curitiba, que teve seu auge nos anos 1930.

Guilherme Caldas nasceu em Curitiba, botou o capacete e começou a pedalar. Conhece cada pedaço da cidade de cima da bicicleta. Desce do selim por dois motivos. O primeiro é a prancheta: desenhou quadrinhos, camisetas, storyboards, bicicletas e quadrinhos sobre bicicletas. O segundo motivo é para provar iguarias da baixa gastronomia: sanduíche de bucho, coxinhas de farofa e pudim de leite. Nesta exposição, Caldas vai partir da Praça Tiradentes para ver e registrar Curitiba nos sentidos norte, sul, leste e oeste.

As obras expostas são o resultado do processo criativo proposto na Residência SESI-Bienal. Guazzelli resgatou lembranças da infância em Vacaria (RS) e as transportou para Curitiba, seja em momentos já vividos na capital paranaense ou buscando estas memórias no cenário das casas de madeira. Luli Penna embarcou num ônibus para perceber a cidade em movimento. Quintanilha redescobriu a Art Déco esquecida pelo tempo e pelas gestões públicas. Guilherme Caldas é o nosso “batedor”, aquele que percorreu a cidade de bicicleta, de norte a sul, de leste a oeste. Uma Curitiba vista pelos olhos e traços dos artistas convidados: Marcello Quintanilha, Luli Penna, Guazzelli e Guilherme Caldas.

A exposiao é resultado do projeto Residência Sesi-Bienal.

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Foto: Flávio Rocha

FACHADAS

Rafael Sica

Acabo de llegar, no soy um estraño Conozco esta ciudad
Charly Garcia

Conheço essa cidade. Passo por essas fachadas todo dia, uma delas tenho quase certeza que é a do Vitor Ramil, que colocou a cidade em um espelho e agora temos dois nomes: Pelotas, a Capital Internacional da Piada e Satolep, sua irmã mais esquiva. “Na cidade de Pelotas As moças vivem fechadas De dia fazem biscoitos De noite bailam caladas”. Incrível que eu saiba esses versos de memória. Mas a cidade, uma cidade, é difícil de abandonar. O sujeito se acostuma a andar por umas ruas.
Tem uma tradição aqui, de contar a história dos casarões, evidências de nossa breve fortuna e longa decadência (fomos ricos por uns minutos com o charque, gastamos tudo em pianos e aulas de francês, a invenção da geladeira nos foi  fatal). Sica conta essas histórias como um realista fantástico. As fachadas são reais, as histórias são fantásticas. O formato é o conto, o gênero mais rigoroso. Não tem uma folhinha ali por acaso. Quando o polígono inquietante aparece na frente de casa, só o menino sorri. Coisas assim, para quem procurar ver. Sica é um miniaturista.

O desenho, outros já disseram, veio de lugar nenhum. Ninguém se parece com Sica. A cidade, talvez se pareça com outras, com qualquer cidade do interior. Tem cidades do interior mesmo no interior das grandes cidades. Estamos por toda parte, nessas ruas onde nada parece que acontece. Mas como disse o Alan Moore, se você investigar a história de um metro quadrado de qualquer cidade no mundo, coisas incríveis aconteceram ali. Acontecem. Todo o tempo. Por trás das fachadas.

Odyr

A exposição apresentou os desenhos de Rafael Sica, cronista do cotidiano e da sociedade. Seu trabalho é silencioso, mas permeado de sutilezas, humor e significados. Fachadas é uma série sobre uma cidade que existe. Ou, então, é uma série sobre uma pequena cidade dentro de uma grande cidade. Ou é uma série sobres as casas de uma rua mal iluminada. Ou, enfim, Fachadas é uma série sobre uma cidade imaginária.

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Foto: Flávio Rocha

MÚSICA PARA ANTROPOMORFOS

Fabio Zimbres

DONEC VEL MI MAXIMUS

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Música para Antropomorfos é o título da parceria entre o ícone do quadrinho alternativo brasileiro Fabio Zimbres e a banda de rock Mechanics. Lançado em 2007 como um disco-livro, o projeto teve desde então diversos desdobramentos: shows, performances, trilha sonora, livro teórico e mesmo um curta-metragem em desenho animado. A exposição homônima é uma releitura feita por Zimbres dos 15 capítulos/ músicas que compõem a obra original – que acaba de ganhar nova edição pela Zarabatana Books.

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Foto: Flávio Rocha

CASTANHA DO PARÁ

Gidalti Jr

Gidalti Jr. pensa os quadrinhos feitos no Brasil a partir de uma ótica eminentemente autorreferencial.

A “cor local” que impregna seu trabalho emerge da assimilação das substâncias formadoras da realidade tangível como fonte primordial, traduzidas em uma paleta que contribui para a ampliação do catálogo iconográfico da grafologia brasileira, ao mesmo tempo em que paga tributo à peculiar relação do artista com sua localidade inspiradora no norte do país.

Lançando mão do expressionismo em chave antropomórfica, da fotodocumentação, da inter-relação entre grafite e aquarela, investigando o universo proposto por Luizan Pinheiro autor do conto “Adolescendo Solar”, no qual se inspira o álbum “Castanha do Pará”, sua história nos faz adentrar numa Belém repleta de sons e odores, humidade, mercados populares, cansaço, policiais truculentos, luzes crepusculares, suor, ambulantes e, sobretudo, caos, seguindo os cambitos do jovem Castanha pelas vielas e ruas enlameadas da capital paraense, até que as asas lhe brotem do dorso.

Como autor, sinto-me inevitavelmente presente nesse processo, em uma instância análoga à da obra de Dave McKean, outra das referências mais perceptíveis de Gidalti.
Esta exposição nos permite um raro contato com a amplidão de suas pranchas. Nos possibilita esquadrinhar as vicissitudes experimentadas pelo artista no momento de sua elaboração.

Não se sintam à vontade.
Sintam-se, somente.

Marcello Quintanilha

Obra vencedora do 59º Prêmio Jabuti, a mais importante premiação literária do Brasil. O romance gráfico Castanha do Pará reconta, em forma de fábula, uma situação cada vez mais comum nos dias de hoje: Castanha é um menino-urubu que vive suas aventuras pelos cenários do tradicional mercado público Ver-o-Peso, em Belém. Mora sob o céu aberto e sobrevive dos furtos e das migalhas de atenção que sobram do mundo ao seu redor. O romance gráfico de estreia de Gidalti Moura Jr. abusa da expressividade na pintura para dar vida a este conto urbano, criando uma visão lúdica e ritmada para a poesia da dura realidade.

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Foto: Flávio Rocha

CUMBE

D’Salete

Será estranho que Noite e Luz, o primeiro livro de Marcelo D’Salete, tenha sido publicado antes na Argentina do que no Brasil? Ou que o primeiro artigo mais extenso sobre a edição brasileira de Cumbe seja do Huffington, Post dos Estados Unidos? Ou que os direitos de Angola Janga já tenham sido vendidos para diversos países antes mesmo do livro estar pronto?
Cumbe foi indicado ao prêmio Rudolph Dirks, da Alemanha, e foi o ganhador do prêmio Eisner de melhor obra estrangeira publicada nos Estados Unidos. Mas no Brasil não ganhou prêmio algum. Ao longo dos anos, D’Salete tem desenhado silenciosamente narrativas que mapeiam um Brasil muito diferente da imagem vendida pelo Brasil oficial. São incômodas porque falam de racismo, opressão, violência… tudo institucionalizado. Mas são mais incômodas ainda
porque, além de denunciar tudo isso, também celebram a resistência. O Poder adora exibir sua magnanimidade ao celebrar o dia do Índio ou o dia da Abolição como se tudo fosse coisa do passado, já resolvida, a se comemorar em folclore de shopping center. D’Salete vai além e mostra que os Palmares se espalha pelo país hoje.
Mau exemplo.

É a lembrança de que há rios subterrâneos correndo pelas entranhas do país. Que por baixo da violência social, das luzes dos espetáculos banais e do lixo industrial, um Brasil criativo insiste em viver, ainda que muitas vezes invisível
para os próprios brasileiros. Os trabalhos de Marcelo D’Salete são atos de resistência.

Rogério de Campos

Em Cumbe, obra vencedora do Prêmio Eisner 2018, Marcelo D’Salete retrata a luta dos negros no Brasil colonial contra a escravidão. A exposição apresenta histórias protagonizadas por escravos, mostrando a resistência contra a violência generalizada a que eram submetidos, e o sonho da liberdade. Cumbe, a palavra em banto, espécie de língua ancestral africana, é rica em sentidos: compreende o Sol, o dia, a luz, o fogo e a maneira de entender a vida e o mundo.

Foto: Flávio Rocha

ANGOLA JANGA

D’Salete

 

D’Salete Angola Janga, “pequena Angola” ou, como dizem os livros de história, Palmares. Por mais de cem anos, foi como um reino africano dentro da América do Sul. Formada no fim do século XVI, em Pernambuco, a partir dos mocambos criados por fugitivos da escravidão, Angola Janga cresceu, organizou-se e resistiu aos ataques dos militares holandeses e das forças coloniais portuguesas. O álbum de Marcelo D’Salete é uma espécie de narrativa épica sobre o tema, debruçada na memória coletiva do que restou e no legado dos que por lá passaram.

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Foto: Flávio Rocha

BIENAL PUBLICA!

A Cidade em Quadrinhos

Exibição das obras dos autores paranaenses que foram selecionadas pelo editor Fabio Zimbres na segunda edição do Bienal Publica! seguindo o tema “A Cidade nas HQs”. A exposição apresentou desenhos, poesia, roteiros e outras formas de interpretação do tema proposto para a publicação.

Saiba mais sobre a Bienal Publica!

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Foto: Flávio Rocha

QUINTANILHA

Marcello Quintanilha

Marcello Quintanilha (Niterói, RJ) se notabilizou por resgatar uma particular iconografia eminentemente brasileira, referenciada no cinema, imprensa e fotojornalismo para os quadrinhos. Dono de um traço de base hiperrealista, o autor explora, em sua obra, as diversas facetas do ser humano e sua relação com o mundo que o cerca. Radicado em Barcelona, Quintanilha venceu, em 2016, o prêmio Angoulême por “Tungstênio” (Editora Veneta).

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