A Bienal

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Bienal de Quadrinhos de Curitiba: traços de uma história contínua

Formação, divulgação, reconhecimento, acolhimento e troca. Estas são algumas das marcas da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. Em seus eventos, e em sua programação, a perspectiva histórica da cidade com os quadrinhos e com o público interessado é desdobrada em atividades, palestras, lançamentos e principalmente encontros transformadores. Vamos conhecer um pouco desta história?

A produção do chargista Alceu Chichorro (1896-1977) é considerada o marco zero do quadrinho curitibano. A Editora Grafipar, por sua vez, colocou Curitiba no mapa, competindo de igual para igual com editoras de Rio e São Paulo nos anos 1970 e 1980. A criação da Gibiteca de Curitiba, em 1982, foi a pedra fundamental para o aumento do envolvimento e do interesse pela chamada oitava arte. A Bienal de Quadrinhos, em suas edições diversas, foi o marco mais recente e consolidou uma realidade já existente, porém latente, ao projetar ideias, artistas e quadrinhos para além das fronteiras do estado e do país.

A edição número 0, em 2011, comprovou: um evento de quadrinhos, e pelos quadrinhos, se fazia necessário. Hervé Bouris (França), Fabio Civitelli, Lucio Filippucci (Itália), Jens Hardes (Alemanha) e Salvador Sanz (Argentina) foram os convidados internacionais do projeto-piloto da Bienal, que também contou com 40 convidados nacionais – Lourenço Mutarelli entre eles. As atividades diversas, com destaque para as exposições, levaram um público de 10 mil pessoas a diversos espaços da cidade.

A sementinha brotou e, em 2012, a Gibicon número 1 comemorou os 30 anos da Gibiteca de Curitiba. Com mais de 100 convidados nacionais como Gonçalo Jr. e Sonya Luyten, e internacionais, como Tanino Liberatore e Isabel Kreitz, o público estimado foi de 12 mil pessoas. O sucesso foi legitimado: em 2013, a Gibicon venceu os dois principais prêmios nacionais de quadrinhos: o Troféu Ângelo Agostini e o Troféu HQMIX.

Consolidada, a Gibicon n.º 2 não teve alternativa a não ser expandir horizontes. Para isso, foi fundamental a concentração das atividades no MUMA – Museu Municipal de Arte – Portão Cultural, que ferveu por quatro dias, com 49 oficinas, 33 debates e 16 palestras. Foram 104 convidados nacionais. Entre os estrangeiros, os destaques foram o inglês David Lloyd, o artista coreano Kim Jung Gi, e o argentino Eduardo Risso. Cerca de 25 mil pessoas visitaram também uma feira literária, uma arena de artistas e se divertiram com o Duelo HQ – disputa entre artistas participantes. Estava claro: a afetividade e o compartilhamento de ideias eram as principais ferramentas para aprofundar os diálogos e expandir ainda mais o que a Bienal de Quadrinhos de Curitiba se propõe a oferecer.

Em 2016 o evento passou por mudanças. A principal delas foi o nome: a Gibicon se transformou em Bienal de Quadrinhos de Curitiba. O conceito e a estrutura do evento também foram revistos. A equipe de curadoria aumentou, em número e em experiência: Mitie Tekatani, Rafael, Coutinho, Heitor Pitombo, Lobo e André Caliman. O evento foi realizado novamente no MUMA, casa da Bienal. Na programação, uma nova edição do prêmio Claudio Seto. Na final do Duelo HQ, duas mulheres, simbolizando a força e a relevância da produção feminina de quadrinhos. Entre as novidades, o Palco Ocupa, espaço aberto para debates sobre a arte do desenho, atualidades, música e performances. Outra novidade foi a Bienal Publica, projeto em que novos talentos de todo o Brasil publicaram seus trabalhos em quadrinhos, de forma gratuita. A edição 2016 teve um público estimado de 30 mil pessoas.

Com mais de 60 artistas convidados, como Gidalti Jr., autor de “Castanha do Pará”, primeira obra ganhadora da categoria História em Quadrinhos do Prêmio Jabuti, e Marcelo D’Salete, vencedor do prêmio Eisner, o mais importante do mundo das HQs, com sua obra “Cumbe/ Angola Janga”, a Bienal de Quadrinhos 2018 aconteceu novamente no MUMA. O homenageado da edição foi Key Imaguire Jr., idealizador da Gibiteca de Curitiba, a primeira do Brasil. Com o tema “Cidade em Quadrinhos”, a Bienal utilizou produtivamente diversos espaços de Curitiba, públicos e privados, por sua vez retratados por artistas que entendem que podemos transformar positivamente o lugar em que vivemos.

Com um passado de sucesso e um futuro promissor, a Bienal de Quadrinhos de Curitiba segue sua jornada consolidada de formação, troca, divulgação e encontros transformadores.