Curitiba atingiu sua maioridade em quadrinhos, diz Key Imaguire Junior

Foto: Flavio Rocha

 

Começou! A Bienal de Quadrinhos 2018 teve início nesta quinta-feira (6), já com a presença de um grande público. A primeira atividade oficial aconteceu às 11h, na Casa de Leitura Wilson Bueno, anexa ao MuMA – Portão Cultural, sede do maior evento de quadrinhos do sul do país.

Na mesa “Acelera dos Mortos: Política e Apocalipse Cyberpunk”, Daniel Esteves e Cadu Simões discutiram representações críticas e sócio-políticas dentro de suas obras. No teatro Antônio Karlos Kraide, o uruguaio Troche – o homem dos quadrinhos silenciosos -, Caco Galhardo, Rômolo e Lelis refletiram sobre a influência que suas cidades natais ou adotivas têm em seus trabalhos. “Estou muito agradecido por estar aqui. É um evento meio mágico, e isso me motiva”, disse Troche, autor de “Desenhos Invisíveis” e “Bagagem”, ambos lançados no Brasil pela Lote 42.

Teve tempo para cinema também: o filme “O Ogro”, de Márcio Júnior e Márcia Deretti, foi exibido no Cine Guarani. Márcio é parceiro antigo de Júlio Shimmoto, nosso samurai do terror, lenda dos quadrinhos brasileiros, em “Cidade de Sangue” e outros projetos.

As amigas Julia Mantovani e Melina Loureiro vieram pela segunda vez ao evento. Deixaram a academia de lado para dar uma olhadinha na feira, em busca de seus quadrinhos preferidos. “Gostamos dos clássicos, mas tem muita gente talentosa aí. Vamos usar os outros dias de Bienal para ‘investigar’”, comentaram.

Já no fim da tarde, no Palco Ocupa, a escritora Vanessa C. Rodrigues, Juliana Russo, Aureliano e Fabiane Longona trataram do tema “O Corpo é uma Cidade”: como transitar por aí em liberdade, com o outro e com seu próprio corpo.

O arquiteto e idealizador da Gibiteca de Curitiba, Key Imaguire Júnior, homenageado desta edição, participou de uma mesa sobre o passado e o futuro da urbanização. Às 19 horas aconteceu a abertura oficial da Bienal de Quadrinhos de Curitiba. “Com este evento, Curitiba prova que atingiu sua maioridade nos quadrinhos. Há público interessado, artistas relevantes e uma divulgação democrática, que só reforça nossa tradição na área”, disse Key, que recebeu o prêmio Cláudio Seto de Quadrinhos das mãos do poeta e performer Hélio Leites e da artista visual Katia Horn. Não antes sem pedir um minuto de silêncio “pela morte cultural do Brasil”, em referência ao incêncio que destruiu o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, no último domingo (2).

A Bienal de Quadrinhos de Curitiba segue até o próximo domingo (9), com palestras, debates, shows, exposições, feiras e outras atividades das 11h às 21h, no MuMA – Portão Cultural, Avenida República Argentina, 3432.

Fotos: Flavio Rocha

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